O futuro não é apenas reluzente, é a luz como um serviço

Quando o astronauta Barry Wilmore precisou fazer reparos na Estação Espacial Internacional em dezembro de 2014, ele não tinha uma chave de boca necessária para o trabalho.

Anos atrás isso significaria esperar meses pelo próximo foguete de abastecimento ou enviar um vôo específico a um alto custo. Mas agora não, a tripulação na Terra projetou a ferramenta no computador e enviou o arquivo por e-mail para a estação espacial, e impresso minutos depois pela impressora 3-D a bordo.

Esta história provavelmente possui um recorde mundial para uma ação de eficiência energética mais impressionante: enviar um e-mail em vez de um foguete para entregar uma ferramenta.

Características da digitalização

E aqui está uma característica comum do domínio da digitalização – a fantástica promessa de novas tecnologias, além de um complexo debate social sobre as consequências sociais, aceitabilidade e governança.

Sem dúvida, as novas tecnologias digitais oferecem um enorme potencial para melhorar a eficiência do fornecimento e uso de energia em todos os setores. Oferece grandes oportunidades de melhor controle e otimização e redução de custos.

Mas, para a eficiência energética, talvez a digitalização seja mais fundamental, mais semelhante ao salto de enviar por e-mail para o espaço. A história da estação espacial tem relevância específica – a manufatura aditiva pode ter enormes implicações para o uso de energia na indústria. Porém, de maneira mais ampla, as novas tecnologias digitais podem liberar enormes quantidades de potencial de eficiência energética antes fora de alcance.

Temos controle do uso de energia que nunca tivemos antes

O monitoramento em tempo real está permitindo uma varredura mais próxima dos padrões de uso de energia, a inteligência artificial está sendo aplicada, e novos níveis de controle otimizados e eficientes estão sendo entregues. A análise e o controle podem ser feitos em qualquer lugar – existe um centro de controle em Dublin que gerencia energia em tempo real em torres de escritórios em Dubai.

Graças às novas tecnologias, muitas das barreiras clássicas à eficiência energética em torno do conhecimento, confiança, certeza, medição e verificação estão caindo. O desempenho pode ser medido em tempo real, o uso de energia pode ser comparado antes e depois das atualizações, fatores como clima e comportamento podem ser observados e eliminados. Os sistemas também podem rastrear e verificar a economia, desbloqueando assim novas maneiras de financiar os ganhos de eficiência energética.

Isso permite a implantação de novos modelos de negócios de serviços de energia que foram discutidos por muitos anos, mas muitas vezes eram complexos demais para serem entregues na prática. Isso inclui várias formas de contratação de desempenho e, o que é mais interessante, modelos de negócios que se concentram em serviços de energia, não em energia. O usuário exige serviços como aquecimento, iluminação, mobilidade e deixa os detalhes, incluindo a propriedade do equipamento, para os especialistas. Eu quero luz, não as luzes.

A digitalização nos permite gerenciar melhor todas as partes do sistema de energia

Para eficiência energética, porém, não se trata apenas de fazer as coisas melhor, mas potencialmente de fazer coisas novas. Mas, claro, se esse potencial é realizado depende de muitos fatores. O comércio de eficiência energética como commodity, a oferta de novos serviços de resposta à demanda para redes, a venda de pacotes de serviços integrados de energia para empresas e famílias – tudo vai testar mercados e regulamentações criadas para outra coisa e, é claro, encontrará resistência daqueles que interrompem.

Não é novidade que os inovadores de negócios e tecnologia forçam os formuladores de políticas e reguladores a alcançá-los, mas talvez o ritmo de mudança que estamos vendo agora torne isso diferente.

A empresa Bboxx, com sede em Londres, vende acesso à energia na África para comunidades distantes da rede elétrica. Não pensa em quanta energia fornecer, mas sim nos serviços de energia necessários. Ele oferece um pacote composto por uma televisão, um rádio, carregadores de telefone e luzes, e construiu um sistema, com painel solar e bateria, para fazer isso.

Os aparelhos de alta eficiência são fundamentais para a solução, e um modelo de negócio de serviço é usado – o usuário paga uma taxa pelos serviços prestados, não pela energia usada. Tudo está enraizado em tecnologias digitais de monitoramento e faturamento. Pense nesses tipos de inovação – nas tecnologias, nos modelos de negócios e nas próprias ideias – aplicados a todas as partes do sistema de energia.

O futuro não é apenas reluzente, é a luz como um serviço.

Referência
European Council for an Energy Efficient Economy

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