A transformação digital é fundamental para o novo modelo de setor elétrico

A geração distribuída substituirá o modelo tradicional de negócio das concessionárias de distribuição de energia elétrica, exigindo maior controle da demanda dos clientes e, consequentemente, maior digitalização da operação.

Durante a pandemia da Covid-19 a demanda de energia caiu 6% (IEA, 2020), a maior em 70 anos em termos absolutos, superando em 7 vezes a crise econômica de 2008. Espera-se que as emissões de CO2 diminuam em 8%, cerca de 2,6 gigatoneladas (Gt), em níveis semelhantes de 10 anos atrás.

A previsão é que a demanda de energia renovável aumente devido aos baixos custos operacionais e ao acesso preferencial a outros sistemas de energia. O novo cenário do sistema elétrico é muito mais complexo que o atual, onde a concessionária de distribuição apenas entrega a energia, diferente do cenário futuro onde vários prosumers (alguém que consume e produz energia) exigirá o controle do excedente de energia que entra na rede.

Este cenário, combinando retração da demanda de energia, redução das emissões de gases do efeito estufa e aumento da geração de energia renovável acelera a tendência do setor de energia de descarbonização, descentralização e digitalização.

Intermitência da energia renovável

 Uma das preocupações dos especialistas do setor elétrico é a intermitência da energia renovável, devido a variação da radiação solar e da velocidade dos ventos. Entretanto, este problema será resolvido com o aumento em larga escala do armazenamento de energia. Além das baterias de lítio tradicionais, existe a possibilidade do armazenamento em hidrogênio, através do processo de eletrólise.

Uma experiência bem sucedida na cidade de São Paulo é o uso de células de hidrogênio em ônibus, substituindo o diesel e o sistema de linhas eletrificadas dos trólebus. O uso de hidrogênio é uma alternativa viável para a descarbonização.

A descentralização da geração de energia, aproximando a geração da demanda, reduz as perdas técnicas das longas linhas de transmissão e a criação de microgrids, aproveitando insumos locais, como metano dos aterros sanitários e parques eólicos e fotovoltaicos. Criando ilhas de geração e consumo torna-se mais fácil a gestão da energia e cria uma blindagem com apagões do sistema integrado nacional.

Tecnologia de monitoração e controle

 A tecnologia de monitoração e controle de cada microgrid dependerá da sofisticação exigida pela região, tornando viável sua implantação em áreas remotas com baixas demandas por energia e alta complexidade em regiões fortemente industrializadas e economicamente ativas.

Dentro deste contexto a digitalização do microgrid e sua integração com o sistema integrado nacional para trocas constantes de informações, permitirá o uso de algoritmos de inteligência artificial para a resposta a demanda.

O uso de microgrids permite a implantação de sistemas inteligentes de gestão do sistema elétrico (Smart Grid), incluindo não a medição inteligente (Smart Meter), mas o uso de equipamentos inteligentes em toda a rede. As informações geradas serão suficientes para definir em tempo real a configuração ótima do sistema, incluindo a quantidade de energia a ser armazenada para futura utilização, para compensar a intermitência dos sistemas de geração renovável.

E a solução para as cidades inteligentes?

As cidades e consórcios de cidades, juntamente com as concessionárias de distribuição de energia terão mais controle para produzir energia de qualidade para atender as demandas de desenvolvimento industrial, comercial e social de suas regiões.

As concessionárias já estão se preparando para este novo cenário, criando empresas de geração de energia renovável e estudando modelos de negócios onde ficaram apenas responsáveis pelos fios, deixando a comercialização de energia entre o usuário final e a geradora, de preferência de sua subsidiária.

Cabe agora, gestores públicos municipais, empreendedores, legisladores, reguladores e sociedade em geral se mobilizarem para operar neste novo modelo do setor elétrico. Além de representar maior qualidade de serviços com custos controlados, este modelo contribuir para os cumprimentos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

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